Autoconhecimento: trajetória para construir um Eu melhor

Por Equipe Keyo

O autoconhecimento fala sobre o ato de nos conhecermos, de compreendermos nossa personalidade e gatinhos emocionais. Em outras palavras, o que motiva determinada emoção ou comportamento nosso.

Nesse sentido, é notório que nossa sociedade está muito voltada para o mundo externo. Ou seja, quando perguntamos a alguém me conte mais sobre você, ela provavelmente responderá sobre sua formação acadêmica, profissão e tudo o que faz.

Autoconhecimento: o que significa de verdade?

Sendo assim, a pergunta, “o quanto você se conhece?” pode soar muito estranha para a maioria de nós, já que ela exige um mergulho com intimidade em nosso mundo interior para poder respondê-la.

Autoconhecimento: entenda no que consiste a prática

Ó homem, conhece-te a ti mesmo e conhecerás o Universo e os Deuses.”

Na Grécia Antiga, Sócrates já proclamou!

O autoconhecimento é uma jornada para dentro de nossa casa, a compreensão profunda de como nossos pensamentos e crenças, positivas ou não, são construídas.

Assim, cada pensamento em nossa mente gera uma emoção. Uma pesquisa de cientistas canadenses comprovam que temos mais de seis mil pensamentos por dia. Imagine só quantas experiências emocionais experimentamos em nosso corpo, já que cada pensamento gera uma sensação?

Além disso, compreender os processos mentais pode ser uma chave para a liberdade interior, porque, quando temos o entendimento, podemos transformar. Ou seja, evoluímos, vamos nos tornando nossas melhores versões.

Autoconhecimento e autocontrole são sinônimos?

Autoconhecimento não tem nada a ver com autocontrole. Controle é repressão, enquanto conhecimento é fluir, ou seja, é o entendimento profundo e sem julgamento.

Por exemplo, uma pessoa muito reativa em suas falas, agressiva verbalmente inicia uma terapia. Aos poucos, descobre que um de seus pais a oprimia na infância. Sem perceber, em sua mente, ficou gravado que aquele comportamento era correto.

Quando ela cresce, se torna adulta, de oprimida, se torna a opressora. Contudo, quando ela exercita o autoconhecimento, ela ganha olhos e percepção para compreender isso e, com o tempo e vontade, pode se transformar.

Portanto, o autoconhecimento vai muito além da mente e emoções. Nossos hábitos e comportamentos gerais também são investigados. Assim, fica mais fácil de criarmos novas maneiras de viver que ressoam mais com quem somos no presente.

As vantagens do autoconhecimento

A vida é feita de ciclos. E todos nós temos altos e baixos, momentos felizes e outros tantos mais desafiadores.

Assim, conforme a pessoa vai compreendendo mais e melhor sobre como se auto-acolher e se auto-amar, ela ganha qualidade de vida, segurança, e mais estabilidade emocional.

Um bom exemplo é com o rompimento e fim de relacionamentos amorosos. Muitos de nós nos sentimos “dois em um” dentro dos relacionamentos. Quando chegam ao fim, parece que fomos amputados, como se faltasse uma parte nossa.

Em processos dolorosos como esse, que também poderia ser em fases de luto ou mesmo em uma mudança profissional, uma pessoa que se autoconhece, certamente se reerguerá com mais facilidade do que alguém que não se investigou por dentro.

Além disso, a pessoa terá mais clareza sobre seus processos de dor. Saberá quais companhias, atividades, atitudes que lhe fortalece e nutre. Terá atitudes mais amorosas e ternas consigo mesmo e a capacidade de colocar a questão sob uma lente que relativa o problema.

Sendo assim, ela compreende melhor os ciclos da vida. Os altos e baixos. E sabe que seu mundo, sua vida não acabará ali porque o mais importante ela já tem: a si mesma. Isso é autoestima, amor-próprio, benevolência.

Desse ponto, faz todo sentido aquela famosa frase que Jesus disse:

“Amai ao próximo como a si mesmo”.

O autoconhecimento ensina que só podemos oferecer ao outro o que já demos para nós próprios. Nesse sentido, para amar alguém fora de mim, antes devo amar a mim mesmo. Para ser gentil com o outro, antes devo ser gentil comigo. Antes de entender o que o outro diz, devo eu entender o que digo.

Colocando o autoconhecimento na prática

Algo pouco falado, mas muito estudado pelos neurocientistas é a diferença entre a solidão e a solitude. A solidão é quando estamos sozinho e em dor, sofrendo por não nos sentirmos conectados com outros. Nesse sentido, há diversos casos de pessoas que, mesmo convivendo com sua família, dentro de casa, sentem solidão.

Além disso, a solidão tem a ver com a desconexão com o outro e consigo próprio. Assim, sente solidão quem ainda não encontrou em si o verdadeiro afago, amigo e conselheiro.

Já a solitude é essencial para quem busca pelo autoconhecimento, pois é a capacidade de conectar-se consigo mesmo. É necessário silêncio e espaço para ouvir e sentir seu mundo interior.

Enquanto a psicologia, psicanálise e terapias alternativas, como a hipnose e eneagrama, auxiliam na compreensão das crenças que foram tecidas em nossas mentes, terapias corporais, como massagens, biodanza ou yoga ajudam na elaboração de quem queremos ser de verdade.

No nosso corpo físico, em cada célula, estão guardadas nossas memórias emocionais. Assim, quando praticamos terapias corporais, é como se criássemos um espaço interno para ser preenchido por algo novo e melhor.

Três exercícios de autoconhecimento

Você pode começar seu autoestudo agora, com algumas dicas simples e eficazes de autoconhecimento. Mas, antes de passarmos, é muito importante que entenda que o autoconhecimento é um grande amigo ao longo da vida. Um pouquinho dele a cada dia, nos ajuda a viver melhor.

A paciência com nós mesmos e nossos processos é essencial durante toda a jornada.

Exercício 1 – Criar o observador

“Quando as mulheres reafirmam seu relacionamento com a natureza selvagem, elas recebem o dom de dispor de uma observadora interna permanente, uma sábia, uma visionária, um oráculo, uma inspiradora, uma intuitiva, uma criadora, uma inventora e uma ouvinte que guia, sugere e estimula uma vida vibrante nos mundos interior e exterior.”

Clarissa Pinkola Estés
Trecho do livro “Mulheres que correm com os lobos”

Há, dentro de cada um de nós, um observador que não julga, critica ou elogia, mas apenas observa tudo. Ele nos oferece o “printscreen” do que estamos pensando ou sentindo ou os dois, um pensamento que gerou uma emoção.

Contudo, o oriente sabe disso há milênios e, por isso, diversas filosofias orientais usam a respiração como aliado. Assim, quando observamos o oxigênio entrando e saindo de nossas narinas, sentindo o estufar da barriga com o ar e seu esvaziamento, rapidamente nos desconectamos dos pensamentos. E quando acaba o exercício, nossa mente está mais calma, com clareza e lucidez.

DICA KEYO: coloque em seu telefone alarmes (pode ser a cada duas ou três horas) e quando tocar, pare o que estiver fazendo para simplesmente respirar com atenção por apenas um minuto. Um minuto não mudará em nada suas tarefas, mas mudará completamente seu estado físico, mental e emocional. Te trará mais presença, atenção e acionará seu auto-observador.

Exercício 2 – Imaginação

“A imaginação é mais importante do que o conhecimento. O conhecimento é limitado. A imaginação envolve o mundo”.

Albert Einstein

A ciência já comprovou que nosso cérebro não distingue experiências físicas de experiências da imaginação. Ou seja, se você pega um álbum antigo de uma viagem para a praia e passa um determinado tempo olhando, apreciando, se recordando daquela viagem, essa experiência gera as emoções que você experimentou nela em todo seu corpo.

Por causa disso, há diversos aplicativos de meditação e, principalmente, meditações guiadas. Contudo, essa segunda opção usa de sua imaginação para fazer sua mente, emoção e corpo provarem de uma experiência de bem-estar e relaxamento para seguir sua rotina mais bem disposto, assim, trazendo doses de felicidade para sua rotina.

DICA KEYO: nossa colaboradora, Helena Cecília, autora dos textos do nosso blog, além de escritora é mentora de autoconhecimento e oferece meditações guiadas (deliciosas) através do aplicativo de origem australiana, Insight Timer. Experimente e depois nos conte como foi sua experiência. Essas meditações guiadas podem levar de cinco a trinta minutos. Faça uma vez ao dia e perceba como se sente.

Exercício 3 – Escreva

“As pessoas mudam quando se dão conta do potencial que têm para mudar as coisas.”

Paulo Coelho

Um simples texto escrito por você e sobre o que sente e pensa no momento presente é um grande exercício de autoconhecimento. Por isso, o hábito de diário é cultivado desde os tempos mais remotos da antiguidade.

Escrever sobre seu dia, sobre seus desejos ou apenas sobre o que pensa é também um modo de criar intimidade com o auto-observador. Mas talvez você não goste de escrever ou acredita que não tem tempo para isso. Por isso, selecionamos uma dica muito simples e eficaz.

DICA KEYO: Ao final de cada dia, escreva os três momentos melhores do seu dia e os três piores. Em uma semana, terá uma lista de vinte e uma coisas positivas e negativas. O que te fez bem e o que foi desafiador. Imagine depois de um ano. Você saberá muito mais sobre o que gosta, o que deve manter e nutrir em sua vida para te fortalecer, tornando-se, assim, seu maior aliado, amigo e conselheiro.